Virgílio Castelo volta em dose dupla à SIC após saída silenciosa da RTP

Virgílio Castelo está de volta à ficção da SIC com um duplo desafio: interpretar uma personagem em Nazaré e outra em Terra Brava. Para trás fica o papel de consultor na RTP.

31 Ago 2019 | 13:50
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Aos 66 anos e com 44 de carreira Virgílio Castelo, está de regresso à SIC, na qualidade de ator – e onde em tempos também já foi consultor – para dar vida a duas personagens «completamente diferentes», uma em cada uma das duas novelas que a estação se prepara para estrear.

Na primeira delas, Nazaré, protagonizada por Carolina Loureiro e José Mata e escrita por Sandra Santos, o veterano ator fará apenas uma participação especial na pele de António, «um industrial de móveis muito poderoso e com uma personalidade muito forte», revela o próprio à TV 7 Dias.

Por sua vez, no projeto seguinte, Terra Brava, assinada por Inês Gomes, será Francisco, engenheiro agrícola de profissão e «uma pessoa muito calma e delicada» – esta trama irá para o lugar da série Golpe de Sorte, logo a seguir ao Jornal da Noite.

As gravações desta novela decorrem há cerca de um mês e o balanço não podia ser melhor. «Está a correr muito bem. Não fazia novelas há, para aí, cinco anos [N.R: Mulheres, da TVI, foi a última], mas gosto de fazer. Até tinha algumas saudades», confidencia o ator, que levanta a ponta do véu sobre a ação da história: «É uma historia que há muito tempo não se faz. É uma novela essencialmente rural, que se passa no campo. Acredito que vá ser uma novela muito bonita», conta Virgílio, que terá como colegas, no seu núcleo alentejano, Maria João Luís (mulher), Rita Loureiro (cunhada), Mariana Monteiro (filha), João Jesus (filho), Renato Godinho (genro) e Isabel Ruth (mãe).

 

Convite aceite após várias negas

 

Virgílio Castelo retorna à SIC oito anos depois da novela Laços de Sangue, em que participou ainda na qualidade de consultor para a Ficção e ator. De seguida, rumou à RTP, que foi a sua casa entre 2015 e 2018, para assumir as mesmas funções de consultoria.

O convite para regressar à estação da Impresa surgiu no momento certo. «Sinto-me muito acarinhado na SIC. Tenho a sorte de ter convites dos três canais com alguma assiduidade e sinto-me sempre muito bem recebido em todos eles. Este é um regresso a uma casa de que gosto», sentencia à TV 7 Dias, explicando que as negas que foi dando ao longo dos anos se devem «com a altura em que os convites foram feitos, sobrepondo-se a outros projetos».

«De facto, tenho tido uma continuidade e variedade de trabalhos que é uma bênção para mim. Sou muito agradecido por os convites nunca terem parado, mesmo com várias gerações diferentes de direções e administrações dos canais», acrescenta. Foi o que aconteceu agora com a SIC, que tem à frente do barco, há pouco mais de um ano, Daniel Oliveira.

O Diretor-Geral de Entretenimento da Impresa procedeu a uma reformulação na grelha e, com a aposta em Golpe de Sorte, fortificou a liderança no horário nobre. Para Virgílio, a estação entrou «claramente» numa nova fase. «Esta direção trouxe à SIC um novo impulso e uma nova dinâmica. Os resultados estão a vista. As medidas tomadas têm vindo a alterar o panorama televisivo português e é muito saudável que tenha havido esta reviravolta nas audiências», analisa o ator, defendendo que «ficar-se muito tempo num certo paradigma não é bom para ninguém».

E conseguirão as novas novelas manter a liderança? «Esse é um tipo de análise mais própria para os Diretores de Programas», descarta-se, preferindo deixar de parte o lado de gestor quando assume somente o de ator: «Não vejo as audiências, nem vejo nada». E completa, entre risos: «Gosto muito das duas novelas. São novelas com uma frescura muito grande. Mas as novelas são como os melões: só depois de estarem abertos é que se sabe se são doces ou não».

O percurso como consultor para a ficção da RTP também foi saboroso. Virgílio Castelo regressou à estação a convite de Daniel Deusdado e, quando a Direção de Programas caiu, a sua saída era inquestionável. «Foi uma saída pacífica, na medida em que tinha um convite da Direção de Programas que estava, na altura, na RTP. A direção de Programas saiu e, para mim, não fazia sentido continuar».

Aliás, há um «prazo de validade» que Virgílio impõe para terminar mandatos de consultadoria. E este já tinha sido ultrapassado. «São sempre três anos. É o tempo que eu aguento sem dar prioridade ao trabalho de ator. Não consigo estar muito mais tempo afastado. Há um momento em que começo a ansiar pelo regresso ao ativo», assume.

O mesmo aconteceu durante a sua última passagem pela SIC: «Quando o Nuno Santos [o então diretor de Programas] saiu, eu saí. Em situações como estas, nem me passa pela cabeça que pudesse ser diferente», refere.

Um ano e meio depois do adeus à RTP, feito com tranquilidade e sem grande agitação, Virgílio Castelo descreve o seu percurso como consultor para a ficção como «positivo». «O resultado global desses três anos foram perto de 20 séries. Algumas ainda estão a sair agora. Houve resultados, não só em termos numéricos como qualitativos», afiança o ator, acreditando que esta despedida coincide com o fim do seu ciclo de três anos na consultadoria, que não pensa voltar a exercer. «Dificilmente voltarei ao papel de consultor. A menos que houvesse um novo canal, o que é altamente improvável», remata.

 

Texto: Dúlio Silva | Fotografias: Impala

 

(artigo originalmente publicado na edição nº 1693 da TV 7 Dias)

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